Os Brics são os Beatles da economia emergente mundial.
Bloco de países emergentes experimentou a euforia econômica, mas precisa mudar para se adaptar à nova realidade pós-crise mundial. 27 de dezembro, 2012.
Brasil, Rússia, Índia e China são como John, Paul, George e Ringo dos mercados emergentes. Um grupo elegante de personalidades diferentes que por vezes inspiram a histeria. Pelo menos é o que sugere o jornal norte-americano Wall Street Journal, que traçou a comparação para alertar sobre a necessidade de os membros do grupo se reinventarem se quiserem voltar a registrar crescimento acima da média mundial.
Em 2012, lembra o jornal, os Brics ultrapassaram os Beatles, que duraram uma década, e completaram 11 anos de existência. Assim como a banda, os Brics gozaram de grande sucesso durante esse período.
Em 2002, as ações da bolsa de valores dos Brics correspondiam a três por cento do total do valor de mercado da Federação Mundial de Bolsas de Valores. Porém, em 2011 essa euforia diminuiu e as ações do grupo caíram de três por cento para um quinto do total.
O cartão de visitas do grupo — altas taxas de crescimento — continua válido, mas está perdendo seu valor. De 2000 a 2008, a média do PIB anual dos países do grupo era de oito por cento. Este ano, as previsões do FMI para o grupo apontam uma média de crescimento de 4,5%. Todos os membros, inclusive a China, o garoto-propaganda do grupo, enfrentam um declínio na economia.
Em 2008, as exportações dos mercados emergentes expandiam ao ritmo de 20% a 30% por ano. Na época, tanto os Estados Unidos como a Europa aproveitavam o crédito financiado para consumir intensamente. Após a crise imobiliária dos EUA e a crise do euro, esse cenário mudou. As exportações diminuíram e previsões apontam que em 2013 deve ser ainda pior. A queda nas exportações prejudicou principalmente Brasil e Rússia, dois gigantes exportadores de commodities.
No Brasil, mão pesada do governo afeta crescimento
A expansão do PIB do Brasil é metade da esperada pelo mercado. O grande problema do país é o baixo investimento, tanto público quanto privado. Atualmente, esse investimento representa 19% do PIB. Esse número precisa chegar a 22% se o Brasil quiser retomar a média de expansão anual de 4,5% alcançada na década passada.
O governo tem grandes projetos planejados, como a expansão dos portos, por exemplo. Contudo, a mão pesada do governo afeta o crescimento do país. Uma complexa carga tributária e uma ampla rede regulatória (o chamado “Custo Brasil’) mantêm o país em uma das piores posições na lista do índice de melhores países para se fazer negócios, do Banco Mundial. A intervenção do governo no preço da energia e do petróleo reduz a eficiência e restringe os investimentos no país.
Nesta década, os Brics precisarão enfrentar seus problemas e reformular suas economias para se adaptar às mudanças mundiais. Cada vez mais as diferenças políticas e econômicas entre os membros se tornam mais claras, o que põe em dúvida a continuidade do grupo. E não há garantias de que os fãs da “banda” os amarão em carreira solo.
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